"A noite vinha fria -
negras sombras a rondavam -
era meia-noite -
e o meu amor tardava. -
A nossa casa, -
a nossa vida -
foi de novo revirada. -
À meia-noite -
o meu amor não estava. -
Ai, eu não sei aonde ele está -
se à nossa casa voltará, -
foi esse o nosso compromisso, -
e acaso nos tocar o azar, -
o combinado é não esperar, -
que o nosso amor é clandestino. -
Com o bebé, -
escondida, -
quis lá eu saber, esperei. -
Era meia-noite -
e o meu amor tardava. -
E arranhada pelas silvas -
sei lá eu o que desejei: -
não voltar nunca... -
amantes, outra casa... -
E quando ele por fim chegou -
trazia flores que apanhou -
e um brinquedo pró menino. -
E quando a guarda apontou -
fui eu quem o abraçou. -
O nosso amor é clandestino..."

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